quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Valsa Negra

Canto esta valsa negra

que dedico aos dias mais belos de minha mãe.

Aos negros na senzala do século passado.

E ao amor de Menininha do Gantois a seus tantos filhos...

Ouço uma valsa negra

na paz à beira de um rio que passa acostado à uma pequena cidade no interior do Brasil.

No balanço dos barcos com seus pescadores e suas toadas tristes.

E um velho poeta negro, sábio em sua poesia de cores metafísicas...

Escrevo uma valsa negra

Aos filhos da África que nunca mais voltaram.

Aos seus desenhos de dor e de tristeza no fundo do mar.

Aos seus santos, descobertos e libertos, no afago do tempo que o homem não ousa tocar...

Há uma valsa negra

Que é triste como a lua...

Uma valsa negra

Alegre como o amor que vai além...

Uma valsa negra

Dolorida como o choro do banzo...

Há uma valsa negra

Feliz como a liberdade!


Poema de Aldo Moraes

composermoraes@hotmail.com

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